Amputação do reto: por que acontece? Como é a adaptação?

Dr. José André Carvalho

A amputação do reto é uma cirurgia complexa, indicada no tratamento do câncer colorretal, principalmente…

Homem deitado em cama de hospital após passar por uma amputação do reto.

A amputação do reto é uma cirurgia complexa, indicada no tratamento do câncer colorretal, principalmente quando o tumor está na região inferior do reto, próxima ao ânus. 

Nesse procedimento, o reto pode ser removido total ou parcialmente, e em certas situações, o ânus também é fechado, o que leva à necessidade de uma colostomia permanente – uma abertura na parede abdominal por onde as fezes são eliminadas para uma bolsa coletora.

A recuperação e os impactos dessa cirurgia exigem uma adaptação intensa, não apenas física, mas também psicológica.

Conheça as razões pelas quais a amputação do reto pode ser necessária e as alternativas disponíveis, incluindo o uso de bolsas coletoras e outras opções para a reabilitação do paciente.

Acompanhe o texto do IPO Brasil!

O que é amputação do reto?

A cirurgia de amputação do reto é um procedimento de grande complexidade e importância, frequentemente indicado no tratamento de casos avançados de câncer colorretal. 

Também chamada de ressecção abdominoperineal, essa intervenção envolve a remoção completa do reto (a última parte do intestino grosso) e, em muitos casos, de uma parte do ânus.

Essa abordagem é comumente indicado quando o câncer colorretal está localizado muito próximo ou já atingiu o esfíncter anal, tornando impossível a realização de uma cirurgia que preserve o reto.

Como resultado, o paciente precisa passar a conviver com uma colostomia permanente, em que as fezes são eliminadas por meio de uma bolsa externa acoplada ao abdômen.

Em geral, essa intervenção é definitiva e garante que o corpo continue a eliminar os resíduos, já que o reto não está mais presente para cumprir essa função.

Como é a amputação do reto?

Esse procedimento é feito em um hospital, com o paciente sob anestesia geral. As etapas da cirurgia incluem:

  • Remoção do reto e parte do cólon: o cirurgião primeiro isola e corta os vasos sanguíneos que irrigam a parte doente do intestino. Depois, solta o cólon sigmoide e o reto,  separando-os do restante do intestino grosso;
  • Remoção do ânus: em seguida, o cirurgião opera a região entre as pernas (períneo) para retirar o reto, o cólon sigmoide e, em casos mais sérios, o ânus. Após a remoção, a pele é costurada para fechar a abertura onde o ânus estava;
  • Criação da colostomia: como o reto e o ânus foram removidos, o especialista faz uma colostomia definitiva. Isso significa que uma parte do intestino grosso é conectada a uma abertura na pele, chamada de estoma. 

Essa abertura, que mede cerca de 2,5 a 4 cm de diâmetro, permite a saída dos resíduos do corpo. Para coletá-los, o paciente usa uma bolsa coletora o tempo todo, já que não há mais controle voluntário da eliminação das fezes.

Por fim, a intervenção cirúrgica leva cerca de duas a três horas. Esse prazo pode variar dependendo da sua situação específica.

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Quando a amputação abdominoperineal do reto é indicada?

A amputação do reto é uma cirurgia indicada, principalmente, em casos de câncer colorretal avançado, quando o tumor está muito próximo ao ânus e não é possível preservar o esfíncter anal, músculo responsável pelo controle da evacuação. 

Além disso, tal procedimento pode ser necessário nas seguintes situações:

  • Câncer colorretal em estágio avançado: tumores localizados na parte inferior do reto, ainda mais quando atingem o esfíncter, exigem uma abordagem mais agressiva para remover completamente o tecido canceroso;
  • Tumores recorrentes: quando o câncer retorna após tratamentos anteriores, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias menos invasivas, a amputação do reto pode ser a única alternativa para conter a progressão da doença;
  • Ineficácia de outros tratamentos: caso a quimioterapia ou a radioterapia não apresentem resultados satisfatórios, pode ser necessário recorrer a uma cirurgia mais extensa para evitar que o câncer se espalhe;
  • Comprometimento do esfíncter anal: se o tumor afetar o funcionamento do esfíncter e causar risco de incontinência fecal, a remoção do reto e a realização de uma colostomia permanente podem ser indicadas para preservar a qualidade de vida do paciente.

Quais são os riscos e desafios da amputação do reto?

Assim como qualquer cirurgia invasiva, as amputações do reto apresentam riscos e desafios. Os principais são:

  • Complicações cirúrgicas: procedimentos desse porte têm um risco aumentado de infecção, sangramento e dificuldades na cicatrização. Além disso, a colostomia pode causar complicações adicionais, como o surgimento de hérnias;
  • Impacto emocional: a necessidade de usar uma bolsa de colostomia permanentemente pode afetar a autoestima e a percepção da própria imagem, tornando a adaptação a essa nova condição um processo desafiador. Muitos pacientes enfrentam dificuldades emocionais diante dessa mudança significativa no estilo de vida;
  • Risco de recorrência do câncer: mesmo após a remoção do reto, ainda há a possibilidade de o câncer reaparecer, ainda mais se já houver metástase para outras regiões do corpo;

Alterações urinárias e sexuais: dependendo da extensão da intervenção e das estruturas afetadas, pode haver danos aos nervos próximos ao reto e ao ânus, resultando em incontinência urinária ou disfunção sexual.

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Amputação do reto: como funciona o pós-operatório?

O pós-operatório da amputação de reto pode ser desafiador, tanto no aspecto físico quanto no emocional. 

O paciente precisará de um período de adaptação à colostomia, aprendendo a manusear a bolsa coletora e a lidar com as mudanças em sua rotina. 

Durante essa fase, é comum contar com o suporte de uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas.

Com o tempo e o acompanhamento adequado, muitos pacientes conseguem retomar uma vida normal após esse período de adaptação. 

Embora a colostomia possa parecer difícil no início, a prática e o suporte profissional ajudam a tornar esse processo mais simples, permitindo que o indivíduo retome suas atividades diárias.

Existe prótese para amputação do reto?

Atualmente, não existe uma prótese que substitua o reto após sua amputação. Como o reto é uma estrutura essencial para o armazenamento e a eliminação das fezes, sua remoção exige uma alternativa definitiva para a evacuação.

Em vez de uma prótese, os pacientes que passam por essa cirurgia precisam de uma colostomia permanente, que consiste na criação de uma abertura no abdômen (estoma) para a saída dos resíduos corporais. 

Uma bolsa coletora de colostomia é fixada ao estoma para armazenar as fezes, o que permite que o paciente mantenha sua rotina diária.

Embora não haja uma substituição artificial para o reto, existem avanços médicos e tecnologias voltadas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes ostomizados, como bolsas mais discretas, filtros para odores e acessórios que tornam o uso da colostomia mais confortável.

Conheça o IPO Brasil

Agora que já sabemos como funciona a amputação do reto, vale lembrar que todas as unidades do IPO oferecem o que há de mais moderno no segmento de prótese e órtese, além da reabilitação física.

No Instituto, as indicações são realizadas após minuciosa avaliação clínica. Em laboratório próprio, próteses e órteses são confeccionadas de forma personalizada atendendo as necessidades específicas da pessoa.

Enquanto isso, a equipe de reabilitação acompanha o paciente durante todo o processo de reabilitação. Nossa equipe está preparada para entender o seu caso e avaliar com cuidado a sua necessidade específica. 

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